O Retorno
Esta foi uma semana de mudanças bruscas de tempo, pela terceira vez este ano voltei ao Morro Cara de Cão. Agora mesmo sabendo que choveria decidi-me por um formato maior, o dia cinzento me chamava para pintar. Posicionei-me diante do Forte São João sob aquela mesma amendoeira frondosa que já me abrigara de outras vezes. Eu sabia que poderia contar com algumas horas antes que a água começasse a cair.
Desta vez ainda enfrentei um outro desafio, uma brisa que começara suave aumentou de intensidade e precisei estar atenta para que meu cavalete de alumínio não voasse.
Dia de chuva na Urca - Sandra Nunes -óleo sobre linho 50x70cm
Pintando Reminiscências...
Existem locais no Rio de Janeiro onde parece que o tempo parou ou ao menos passa mais devagar. Um destes recantos é o Morro da Conceição na Zona Portuária, este morro é uma raridade aqui no Rio de Janeiro.
Belos casarios centenários e embora localizados no Centro, a atmosfera é de uma pequena cidade de interior com crianças brincando na rua, vizinhos (muitos ainda descendentes de portugueses) se conhecem e conversam na janela... O arranha-céus do centro comercial, bem próximos não chegam a interferir na paisagem tal é o clima de tranquilidade. Sandra Nunes pintando no Morro da Conceição
Neste dia, caminhei por algumas ruas estreitas do morro, passei pela ladeira do Jogo da Bola e ao descer a Rua João Homem, não resisti ao encanto dos velhos casarios coloniais, reminiscências de um passado distante. Tive que abrir o meu cavalete e pintar um pedacinho deste oasis. Rua João Homem -ost 61x38 cm - Sandra Nunes
Tempo indefinido, após uma noite de chuva o céu começa limpar e a dança das nuvens no céu provoca um espetáculo de reflexos no mar. Como sempre, é preciso escolher um momento para registrar na tela, espero ter conseguido fazer justiça à bela luz de inverno matinal na Urca. Urca- Luz de inverno osl 38x46cm Sandra nunes
Estrela das águasÉ um privilégio poder testemunhar a floração da Vitória Régia no Jardim Botânico, banhada pela luz morna do mês de maio...
Vitória Régia - Estrela das águas ost 22x27 cm Sandra Nunes
veja a versão em
formato maior baseada nesta interpretação aqui
Igreja de Nossa Senhora da Candelária vista da Casa França-Brasil
Um passeio pelo Corredor Cultural no centro Histórico do Rio de Janeiro reserva espetáculos visuais que nos transportam no tempo. Igreja da Candelária óleo sobre tela 27x22cm -
Sandra Nunes
A Quinta da Boa Vista tem uma história importante na vida dos brasileiros em particular dos cariocas.Inicialmente pertencente aos Jesuítas estas terras foram posteriormente divididas entre comerciantes portugueses, uma das partes pertenceu à um rico comerciante de escravos que construiu um palacete no topo da colina de onde poderia apreciar a exuberante paisagem carioca incluindo a Baía de Guanabara, daí o nome Quinta da Boa Vista.Quando em 1808 a família Real veio para o Brasil estas terras foram "doadas" ao Imperador(em troca de um título de nobreza), passando a ser uma das residências da Corte até o final do século XIX.Atualmente, a Quinta da Boa Vista funciona como um parque na zona norte da cidade, abrigando o Jardim Zoológico, o Museu da Fauna e no palácio, o Museu Nacional.
À parte de toda esta história, o que me atraiu nesta composição foi como interpretar na tela a minha visão da imensa área com uma grande diversidade de verde, tendo o Corcovado ao fundo ladeando o espelho dágua onde pedalinhos vermelhos circulam com famílias e namorados especialmente nos finais de semana.
Creio que este cenário está na memória emotiva da maioria dos cariocas que frequentaram ou frequentam este belo parque fazendo pic-nic dominical com suas famílias quando crianças, colegas de escola ou em passeios românticos.
Quinta da Boa Vista-ost 54 x 65cm - Sandra Nunes